Cities Under Pressure - British Council Lisboa, dia 20 de setembro de 2018

O efeito vórtice  que se dá nas grandes metrópoles modernas age como uma máquina voraz, verificando-se em várias cidades ao redor do mundo.  Este efeito actua tipo “aspirador”, sugando de todo o lado os talentosos, as pessoas competentes e qualificadas, os agentes do poder, o capital, os novos nómadas e também os turistas . Surge, assim, um novo tipo de problema, em termos de escala e natureza, em cidades como  Amesterdão, Berlim, Lisboa e, cada vez mais, em Atenas - além de Londres e Paris, naturalmente . Tais cidades entraram na moda como lugares de visita obrigatória no mundo, tornando-as talvez demasiado populares.  Neste processo encontram-se em risco os activos e os recursos que as popularizaram originalmente. Estas cidades apresentam normalmente uma vantagem histórica como c apitais económicas, políticas e culturais dos seus países, além de possuírem um património de grande valor e uma rica textura urbana . Funcionam como  lugares magnéticos,  que ressoam e incitam uma mística própria no imaginário. São lugares com  alto nível de diversidade, cuja facilidade de acesso gerou imensos benefícios, mas que as torna agora vítimas do próprio sucesso , provocando inúmeros problemas, nomeadamente, o facto de os respectivos cidadãos sentirem que a cidade não mais lhes pertence. Refira-se que, em Atenas, este processo se iniciou muito recentemente.   O intenso volume de pessoas e projectos tomou conta dessas cidades,  inicialmente de forma gradual e, depois, já de forma repentina, como num piscar de olhos, tomou-as como uma “onda”.   O fenómeno de “anytime, anyplace, anywhere”  (a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer circunstância) - possibilitado pelo acesso online a dados - está  a modificar a forma como interagimos com o espaço e tempo, sendo que os efeitos dessa modificações começam agora a aparece r. Estas são as cidades em que este mundo em rápida evolução se encontra mais evidente. Há potencialidades e risco em igual medida, e há quem acredite que se está perante uma espécie de “panela de pressão”, com total perda de controlo. Há problemas que se estão a estudar e que, atendendo ao pensamento tendencialmente simplista do liberalismo económico, apresentam variáveis cruéis e dificilmente resolúveis, tais como  os efeitos negativos da gentrificação, em que o aumento do custo de vida afasta a população local do centro para a periferia, a crise de habitação acessível para a população mais jovem, geralmente tornada mais aguda pelo AirBnb, a invasão do centro da cidade por turistas e viajantes , resultando no fecho das lojas locais de distinção e no predomínio da uniformidade (sem gosto, nem sal) das grandes cadeias de comércio internacional.  Por outro lado,  algumas pessoas sentir-se-ão oprimidas e sufocadas por tanta diversidade . Os cidadãos locais sentem, cada vez mais, que estão a perder a sua cidade e as suas reacções mais exacerbadas demonstram apenas a ponta do icerberg que está por eclodir.  No entanto,  as cidades estão a reagir,  procurando domar a dinâmica do mercado a propósitos mais alargados, através da emissão de novos regulamentos e incentivos.  A título de exemplo, poderá ser apontado  o caso de Berlim:  um grupo de fundações locais tem estado a adquirir propriedades-chave para retirá-las, em seguida, do furacão da especulação imobiliária; associações de moradores como Bizim’s Kiez têm estado a defender o comércio local, modificando a forma como os promotores imobiliários operam em Kreuzberg; empreendimentos sociais, como a Holzmarkt, têm criado novos projectos cooperativos imobiliários num sítio chave na zona ribeirinha; a Google, que deseja introduzir novas funções estratégicas nas suas operações na cidade de Berlim, precisa agora de provar que não irá prejudicar o ecossistema criativo da cidade. Já a cidade de Amesterdão tem restringido os estabelecimentos turísticos, proibido o uso das beer bikes (bicicletas festivas em que o consumo de cerveja é abusivo) e está a considerar retirar o terminal de cruzeiros do centro. Em Lisboa e Atenas também se equacionam iniciativas da mesma natureza.   Com o ruir de certezas e a ruptura de sistemas a ocorrer a uma velocidade alarmante, os dilemas da mudança urbana tornam-se evidentes . Esta série de conferências, organizada  em Amesterdão, Berlim, e Lisboa  oferece, a cada cidade, uma variedade de opções, oportunidades e soluções concretas referentes a assuntos tão diversos, tais como:  • Como suavizar o impacto do turismo?  • Como podem ser criados mecanismos de financiamento alternativo para dar respostas às necessidades de habitação acessível?  • De que forma os estabelecimentos culturais podem ser recompensados pelo valor adicional gerado pelo seu trabalho?  • De que forma pode ser restringido o lado negativo da especulação?  • Como pode a diversidade ser protegida pelo ordenamento do território?  A Conferência que estamos a realizar neste ano tem um significado especial, pois é a segunda que organizamos como coletivo, e a primeira enquanto Build the City, 6 dias após o nosso primeiro aniversário como Associação.  O objectivo do Cities Under Pressure - Lisboa neste ano é de envolver a comunidade internacional residente em Lisboa  para melhor compreendermos  o grau de atratividade da nossa cidade, as suas forças e fraquezas ; e de juntos  construirmos uma agenda positiva de ações e melhores práticas para o seu melhoramento , contando com a experiência e perspectiva de actores diversos como os membros da rede  EUNIC de institutos culturais europeus  (Alliance Française, Goethe Institut, Instituto Cervantes e outros),  os empreendedores e activistas do ecossistema de inovação e indústrias criativas de Lisboa  (ImpactHub, Second Home, Start Up Lisboa, beta-i), e expatriados cujas organizações -  Fundação Aga Khan, Lead the Change e Konrad Adenauer  - podem trazer grandes contribuições à construção de um novo consenso sobre Lisboa. O Cities Under Pressure tem  o apoio financeiro da Fundação Millennium BCP ,  a parceria com o British Council para a realização do Congresso, e o apoio institucional e logístico da Câmara Municipal de Lisboa . A Vereadora Catarina Vaz Pinto fará a abertura do mesmo no dia 20 de setembro durante a manhã, num evento fechado para os convidados anteriormente mencionados nas dependências do British Council. Realizaremos uma audiência aberta a um público mais extenso - cerca de 120 pessoas - posteriormente, às 18:00, com a apresentação pública da agenda das Cities Under Pressure nos Paços do Concelho, com discurso do Charles Landry e encerramento da conferência, seguido de um cocktail servido nas dependências da CML.

O efeito vórtice que se dá nas grandes metrópoles modernas age como uma máquina voraz, verificando-se em várias cidades ao redor do mundo. Este efeito actua tipo “aspirador”, sugando de todo o lado os talentosos, as pessoas competentes e qualificadas, os agentes do poder, o capital, os novos nómadas e também os turistas. Surge, assim, um novo tipo de problema, em termos de escala e natureza, em cidades como Amesterdão, Berlim, Lisboa e, cada vez mais, em Atenas - além de Londres e Paris, naturalmente. Tais cidades entraram na moda como lugares de visita obrigatória no mundo, tornando-as talvez demasiado populares.

Neste processo encontram-se em risco os activos e os recursos que as popularizaram originalmente. Estas cidades apresentam normalmente uma vantagem histórica como capitais económicas, políticas e culturais dos seus países, além de possuírem um património de grande valor e uma rica textura urbana. Funcionam como lugares magnéticos, que ressoam e incitam uma mística própria no imaginário. São lugares com alto nível de diversidade, cuja facilidade de acesso gerou imensos benefícios, mas que as torna agora vítimas do próprio sucesso, provocando inúmeros problemas, nomeadamente, o facto de os respectivos cidadãos sentirem que a cidade não mais lhes pertence. Refira-se que, em Atenas, este processo se iniciou muito recentemente.

O intenso volume de pessoas e projectos tomou conta dessas cidades, inicialmente de forma gradual e, depois, já de forma repentina, como num piscar de olhos, tomou-as como uma “onda”.

O fenómeno de “anytime, anyplace, anywhere” (a qualquer hora, em qualquer lugar e em qualquer circunstância) - possibilitado pelo acesso online a dados - está a modificar a forma como interagimos com o espaço e tempo, sendo que os efeitos dessa modificações começam agora a aparecer. Estas são as cidades em que este mundo em rápida evolução se encontra mais evidente. Há potencialidades e risco em igual medida, e há quem acredite que se está perante uma espécie de “panela de pressão”, com total perda de controlo. Há problemas que se estão a estudar e que, atendendo ao pensamento tendencialmente simplista do liberalismo económico, apresentam variáveis cruéis e dificilmente resolúveis, tais como os efeitos negativos da gentrificação, em que o aumento do custo de vida afasta a população local do centro para a periferia, a crise de habitação acessível para a população mais jovem, geralmente tornada mais aguda pelo AirBnb, a invasão do centro da cidade por turistas e viajantes, resultando no fecho das lojas locais de distinção e no predomínio da uniformidade (sem gosto, nem sal) das grandes cadeias de comércio internacional.

Por outro lado, algumas pessoas sentir-se-ão oprimidas e sufocadas por tanta diversidade. Os cidadãos locais sentem, cada vez mais, que estão a perder a sua cidade e as suas reacções mais exacerbadas demonstram apenas a ponta do icerberg que está por eclodir.

No entanto, as cidades estão a reagir, procurando domar a dinâmica do mercado a propósitos mais alargados, através da emissão de novos regulamentos e incentivos.

A título de exemplo, poderá ser apontado o caso de Berlim: um grupo de fundações locais tem estado a adquirir propriedades-chave para retirá-las, em seguida, do furacão da especulação imobiliária; associações de moradores como Bizim’s Kiez têm estado a defender o comércio local, modificando a forma como os promotores imobiliários operam em Kreuzberg; empreendimentos sociais, como a Holzmarkt, têm criado novos projectos cooperativos imobiliários num sítio chave na zona ribeirinha; a Google, que deseja introduzir novas funções estratégicas nas suas operações na cidade de Berlim, precisa agora de provar que não irá prejudicar o ecossistema criativo da cidade. Já a cidade de Amesterdão tem restringido os estabelecimentos turísticos, proibido o uso das beer bikes (bicicletas festivas em que o consumo de cerveja é abusivo) e está a considerar retirar o terminal de cruzeiros do centro. Em Lisboa e Atenas também se equacionam iniciativas da mesma natureza.

Com o ruir de certezas e a ruptura de sistemas a ocorrer a uma velocidade alarmante, os dilemas da mudança urbana tornam-se evidentes. Esta série de conferências, organizada em Amesterdão, Berlim, e Lisboa oferece, a cada cidade, uma variedade de opções, oportunidades e soluções concretas referentes a assuntos tão diversos, tais como:

• Como suavizar o impacto do turismo?

• Como podem ser criados mecanismos de financiamento alternativo para dar respostas às necessidades de habitação acessível?

• De que forma os estabelecimentos culturais podem ser recompensados pelo valor adicional gerado pelo seu trabalho?

• De que forma pode ser restringido o lado negativo da especulação?

• Como pode a diversidade ser protegida pelo ordenamento do território?

A Conferência que estamos a realizar neste ano tem um significado especial, pois é a segunda que organizamos como coletivo, e a primeira enquanto Build the City, 6 dias após o nosso primeiro aniversário como Associação. O objectivo do Cities Under Pressure - Lisboa neste ano é de envolver a comunidade internacional residente em Lisboa para melhor compreendermos o grau de atratividade da nossa cidade, as suas forças e fraquezas; e de juntos construirmos uma agenda positiva de ações e melhores práticas para o seu melhoramento, contando com a experiência e perspectiva de actores diversos como os membros da rede EUNIC de institutos culturais europeus (Alliance Française, Goethe Institut, Instituto Cervantes e outros), os empreendedores e activistas do ecossistema de inovação e indústrias criativas de Lisboa (ImpactHub, Second Home, Start Up Lisboa, beta-i), e expatriados cujas organizações - Fundação Aga Khan, Lead the Change e Konrad Adenauer - podem trazer grandes contribuições à construção de um novo consenso sobre Lisboa. O Cities Under Pressure tem o apoio financeiro da Fundação Millennium BCP, a parceria com o British Council para a realização do Congresso, e o apoio institucional e logístico da Câmara Municipal de Lisboa. A Vereadora Catarina Vaz Pinto fará a abertura do mesmo no dia 20 de setembro durante a manhã, num evento fechado para os convidados anteriormente mencionados nas dependências do British Council. Realizaremos uma audiência aberta a um público mais extenso - cerca de 120 pessoas - posteriormente, às 18:00, com a apresentação pública da agenda das Cities Under Pressure nos Paços do Concelho, com discurso do Charles Landry e encerramento da conferência, seguido de um cocktail servido nas dependências da CML.